Hogsbane
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Em 2019, a editora romena Mount Abraxas lançava "The Deepest Furrow" (ou "O Sulco mais Profundo", na tradução excelente de Bruno Costa) — talvez o livro mais sombrio na trajetória bastante sinistra de Jonathan Wood. Bem conhecido dos leitores da Raphus Press, que publicou pela primeira vez as estranhas e ferozes narrativas poesias desse autor no Brasil, Wood pertence a uma geração de autores (como Mark Valentine, John Howard ou R. B. Russell, todos publicados pela Raphus Press) bastante obscura, surgida tanto dos antros sinistros da bibliofilia quanto das articulações editoriais e artísticas nas subculturas punk e pós-punk (posteriormente, do black metal). Como em outros trabalhos, Wood, em "O Sulco mais Profundo", apresenta uma estrutura narrativa singular, enganadoramente simples, em que uma voz narrativa, distanciada pela ironia e pelo cinismo, se mescla com a percepção de mundo do protagonista — neste caso, esperançosa. Tal procedimento instaura uma tensão permanente entre subjetividade e objetividade na trama. Assim, somos apresentados à jornada do protagonista, que pretende abandonar definitivamente a existência vazia, preenchida pela falsidade das aparências, que levava na cidade grande pela autenticidade do campo. Tal percurso transforma-se, evidentemente, em calvário repleto de horrores. Espécie de releitura macabra do velho adágio de Horácio, "Fugere Urbem" (fugir da cidade), a negatividade de "O Sulco mais Profundo" é tão absoluta que praticamente funda um novo tipo de horror: o horror epicurista, em que a busca existencial de prazer ou sentido transforma-se na descoberta de uma maldade de dimensões metafísicas, na implosão de qualquer saída possível, tanto em termos sociais quanto individuais.